#QUEM SOMOS


Nosso projeto consiste em dar voz ao pescador amador, criando oportunidades de trabalho coletivo para a revitalização de estuários, rios e lagos. Por meio de projetos de educação, conservação ambiental e pesquisas científicas, buscamos recuperar os estoques de peixes que diminuíram drasticamente nos últimos anos.

Nos últimos anos, o pescador esportivo viu os estoques de peixes reduzirem drasticamente devido a cotas e regras universais pouco claras, poluição, pesca predatória e destruição de habitats. Dentre todos os grupos da sociedade, o pescador amador é o que mais demonstra interesse em revitalizar locais que antes eram piscosos, retomando assim as qualidades do habitat e da natureza do local como um todo.

2 person surfing on sea during daytime
lake between trees and mountains

Água Viva - Pesca Regenerativa

Fundador

Henrique Sellin

Fundador

Formado em Ciências Econômicas pela UNESP, pescador amador e atuante no mercado da pesca esportiva desde 2014.

Atualmente estuda projetos de conservação ambiental e a importância da pesca amadora para a sustentabilidade.

Participou de conferências internacionais sobre o tema e compartilha suas ideias em nosso canal no YouTube.

Carta ao Pescador Amador

Confesso que, ao longo dos últimos anos, nossa capacidade de organização como sociedade foi — e ainda está sendo — corroída por alguns fatores: isolamento social, excesso de tecnologia, mau uso das redes sociais, inflação e depreciação do valor monetário, entre outros.

Em um mundo com tantas forças contrárias à sustentabilidade, nosso país enfrenta agravantes ainda maiores, como a pobreza e a degradação descontrolada do meio ambiente. Ainda sobre o Brasil, vi diversas pessoas que amo escolherem deixar o país ou planejarem sair. Perdemos, em parte, a confiança em nós mesmos.

Porém, em meus diversos anos trabalhando ao lado de pescadores amadores, pude perceber que ainda resta esperança. O pescador tem algo dentro de si que não busco explicar, mas que é evidente: sua fé é inabalável. É muito difícil abalar o humor de um pescador e, independentemente de como esteja o mundo lá fora, ele sempre está disposto a uma boa conversa.

De maneira simplificada, quero dizer que o pescador carrega consigo algo especial. Acredito que a pesca é a arte do homem simples que, por meio da natureza, consegue manifestar seu querer e sua sorte. E isso é muito poderoso.

Tive a oportunidade de viajar e conhecer pescadores de outros países, como Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, e observar a forma como se organizam. É impressionante ver como a comunidade da pesca recreativa possui voz política e econômica na gestão de estuários, rios e lagos. Não acredito que seja possível simplesmente aplicar um modelo “Ctrl+C / Ctrl+V” e esperar que tudo melhore magicamente. Porém, ao estudar modelos e métodos já aplicados e seus resultados, podemos otimizar nosso aprendizado e aumentar nossa precisão.

Iniciei este trabalho sem fins lucrativos na esperança de encontrar novos caminhos para os entraves que se tornam cada vez mais presentes em nossa comunidade: pesca esportiva vs. pescador subaquático, pescador recreativo vs. pescador de subsistência, pescador amador vs. pescador comercial.

Também gostaria de dar voz à comunidade científica, que possui excelentes trabalhos e que muitas vezes não consegue se comunicar com o pescador amador. Outros temas, como cotas e leis da pesca, são de extrema importância e devem ser mencionados. Porém, descobri que, mais importante do que a fiscalização, é o consenso. Somente juntos e organizados poderemos compreender qual é, de fato, a melhor maneira de recuperar habitats e espécies, para que o próprio ato de pescar não entre em extinção.

Henrique Sellin